Três horas para salvar uma vida. Parece tempo suficiente, né? Pois é, mas quando tem uma organização criminosa no caminho, a história fica um pouquinho mais complicada. Três Horas para Viver parte dessa premissa para construir um filme de ação que tem boas ideias, um trio de protagonistas interessante e momentos que valem a sessão. Só precisava entender que, se a proposta é correr contra o relógio, não dá para ir com tanta calma assim!
A história acompanha Hank Malone (Alan Ritchson), encarregado de transportar um órgão para uma menina de sete anos que precisa de um transplante. Ben Bishop (Owen Wilson) está nessa missão com ele, enquanto Damián Zaldívar (Rodrigo Santoro) entra em cena para complicar o que já não era simples. O que deveria ser um transporte acaba virando uma sequência de perseguições, confrontos e tentativas de impedir que o órgão chegue ao destino.
A premissa é boa e tem tudo para funcionar. Afinal, existe uma vida dependendo daquela missão, e o tempo está correndo. O problema é que o filme parece esquecer disso em alguns momentos. A história demora mais do que deveria para avançar, e certas situações poderiam ser resolvidas de maneira mais dinâmica. Não chega a estragar a experiência, mas dá aquela vontade de pedir para o pessoal acelerar um pouquinho.
E olha, a história é legal! Só que também não espere uma grande revolução no gênero. A narrativa segue aquela estrutura clássica da jornada do herói, com obstáculos, confrontos e os caminhos que a gente já conhece. Não é necessariamente ruim, afinal, nem todo filme precisa reinventar a roda, mas falta um pouco de ousadia para fazer a trama sair do lugar-comum.
Agora, vamos falar das atuações? Porque Owen Wilson está impecável! O ator consegue trazer humor e inteligência para Ben sem deixar o personagem caricato. É aquele tipo de presença que dá leveza à história e faz a gente se divertir mesmo quando a situação está ficando complicada. Wilson entende muito bem o tom do filme e, para mim, é um dos grandes acertos da produção.
E Rodrigo Santoro? Meus amigos, o homem está absurdamente incrível! Além da presença que entrega em cena, tem um detalhe muito interessante para quem assiste ao filme no idioma original: em meio aos diálogos em inglês, Santoro usa o português em momentos que funcionam como uma ironia ao estereótipo hollywoodiano do latino associado ao crime. É uma brincadeira inteligente com a própria representação dos latinos em Hollywood, e vale prestar atenção. Por isso, fica a recomendação: assistam legendado! Algumas nuances se perdem quando a gente não acompanha as falas originais.
Alan Ritchson também faz parte desse trio que movimenta a história, e a dinâmica entre os personagens ajuda a sustentar a missão. O filme tem bons ingredientes e sabe criar situações de perigo, mas nem sempre consegue manter a urgência que deveria conduzir tudo. É justamente aí que sinto que a produção poderia ter aproveitado melhor o próprio potencial.




