Esta adaptação russa aposta principalmente no apelo visual e, de fato, é difícil negar: o filme é esteticamente muito bonito. Há um cuidado visível na construção dos cenários e na ambientação, o que chama atenção logo nos primeiros minutos. O problema é que o encanto para por aí.
A narrativa é morosa, com um ritmo arrastado que dificulta o envolvimento e faz com que a jornada do personagem perca força ao longo do tempo.
Aqui, o próprio Pinóquio surge diferente: mais frio, menos ingênuo e com um perfil mais explorador, guiado muito mais pela curiosidade do que por qualquer senso de consequência. É uma escolha interessante no papel, mas que acaba afastando emocionalmente e dificultando a conexão com o público.
Em alguns momentos, o longa ainda flerta com o formato de musical, mas sem sucesso. As músicas são pouco marcantes e, em vez de enriquecer a experiência, quebram o ritmo e deixam tudo ainda mais lento.
E é inevitável comparar. Pinóquio já ganhou uma versão recente que é simplesmente impecável, como Pinóquio por Guillermo del Toro, que consegue ser profundamente emocionante e cheia de propósito. Ali, a animação não é só estética, é linguagem.



