O remake de 2026 encontra um equilíbrio interessante entre respeitar a aura clássica da obra e, ao mesmo tempo, fazer ela se tornar acessível. Mesmo sem conhecer a fundo a história, é fácil se envolver com os personagens e com as tensões que se constroem ao longo do tempo. Não é um romance leve ou confortável, mas um romance intenso, atravessado por conflitos, silêncios e sentimentos que nunca parecem totalmente resolvidos.
A Margot Robbie (Catherine) está ótima, mas o filme não depende só dela. A dinâmica com Heatchcliff, interpretado por Jacob Elordi, é o que realmente move a história, sempre entre atração e conflito, com uma intensidade que nunca parece gratuita. Já o pai de Cat (Martin Clunes) aparece como uma figura dura, quase opressora, que ajuda a explicar tanto o clima pesado do filme quanto muitas das escolhas e silêncios dos personagens.
Sem entrar tanto na história em si (dessa vez não quero dar spoiler), um dos grandes acertos do filme está na construção do imaginário. A fotografia é linda a ponto de distrair, no melhor sentido: paisagens abertas, vento constante, interiores escuros e uma luz que parece sempre natural. Dá vontade de viver naquela época, de caminhar por aqueles cenários, mesmo sabendo que ali também existe dureza, silêncio e conflito.
As falas também ajudam a criar esse clima. Alguns diálogos soam quase como versos, carregados de intensidade, lembrando romances clássicos e até Shakespeare, sem parecer artificial. Em O Morro dos Ventos Uivantes, tudo é muito passional, exagerado (como as roupas de Cat), como se os sentimentos fossem grandes demais para caber em frases simples. Isso reforça a atmosfera do filme e faz com que a experiência seja mais sensorial do que narrativa.
Ah, não tem como finalizar sem falar da trilha sonora, sempre um objeto que eu reparo muito, afinal, a música ajuda a contar história, a trazer sensações, emoções… E, olha! Muito bem selecionada, vezes góticas, outras medieval, mas nada bate a música principal, “Chains of Love“, de Charlie XCX. É perfeita para a cena. Como eu disse, dá vontade de viver o momento.



